MTM 701: Etnomatemática 2015

MTM 701: Etnomatemática

Mestrado Professional em Educação Matemática

Universidade Federal de Ouro Preto

Daniel C. Orey, Ph.D.

http://www.oreydc.com/

Semestre Letivo 2015-1 14-18hr Sala 2-20

O que é Etnomatemática?



Filosofia = 50 ptos

Prática = 50 ptos

5 referencias

um projeto na trilha

Presentação / handouts

Presentação / youtube





Referencias


1. 27/2

Intro / Tod Shockey



2. 6/3

Qualificacao da Vanessa e  Círculos


Auditorio do CEAD

3. 13/3

Milton

1

Wanderley

4. 20/3

Inclinação

 

Largo de Rosário

5. 27/3


2

Edvane

Feriado 3/4

Feriado 3/4

Feriado 3/4

Feriado 3/4

6. 10/4


3

Hudson

7. 17/4


4

Rodrigo

8. 24/4


Vamos ao circo

5


9. 8/5


6

Edson e Brígida

15/5

VI Encontro de Ensino e Pesquisa em Educação Matemámatica


ICEB

10. 22/5


7

Rogério

11. 29/5


8

Jucielide

12. 12/6

29/05/2015:   Sala Aberta DEBATE 

 Tema: Os desafios da docência no Ensino Superior sob o enfoque das práticas pedagógicas

Convidado: Profº Drº Marco Tarciso Masetto - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 

Local: Auditório da Escola de Farmácia - Campus Morro do Cruzeiro

Horário: 13:30 as 17:00

Inscrições: de 08 a 22 de maio de 2015.http://www.prograd.ufop.br/index.php/nap/docencia-no-ensino-superior

Considerando a decisão aprovada em Assembléia da Adufop pela paralisação das atividades docentes no dia 29/05/15, a Pró-Reitoria de Graduação, por meio do Núcleo de Apoio Pedagógico, reagendou o Sala Aberta Debate para o dia 12/06/15, mantendo o mesmo local (auditório da Escola de Farmácia), e o mesmo horário (13:30 às 17:00 horas).


Solicitamos a gentileza de confirmarem a inscrição no link:

9

Pedro

13. 19/6


10 / Grupo A


Thiago

14. 26/6


Grupo B


15. 3/7


Grupo C


16. 10/7


Grupo D






O Programa Etnomatemática (por Ubiratan D’Ambrosio)

O Programa Etnomatemática teve sua origem na busca de entender o fazer e o saber matemático de culturas marginalizadas. Intrínseco a ele há uma proposta historiográfica que remete à dinâmica da evolução de fazeres e saberes que resultam da exposição mútua de culturas. Em todos os tempos, a cultura do conquistador e do colonizador evolui a partir da dinâmica do encontro. Mesmo livros elementares reconheceram, muito antes do polêmico afro-centrismo, que

“[A ciência helênica] teve seu nascimento na terra dos Faraós de onde os filósofos, que ali iam se instruir com os sacerdotes egípcios, trouxeram os princípios elementares.”

O encontro cultural assim reconhecido, que é essencial na evolução do conhecimento, não estava subordinado a prioridades coloniais como aquelas que estabeleceram posteriormente.

O Programa Etnomatemática não se esgota no entender o conhecimento [saber e fazer] matemático das culturas periféricas. Procura entender o ciclo da geração, organização intelectual, organização social e difusão desse conhecimento. Naturalmente, no encontro de culturas há uma importante dinâmica de adaptação e reformulação acompanhando todo esse ciclo, inclusive a dinâmica cultural de encontros [de indivíduos e de grupos].

Por que Etnomatemática? Poderíamos falar em Etnociência, um campo muito intenso e fértil de estudos, ou mesmo Etnofilosofia.

A melhor explicação para adotar o Programa Etnomatemática como central para um enfoque mais abrangente aos estudos de história e filosofia está na própria construção do termo. Embora haja uma vertente da etnomatemática que busca identificar manifestações matemáticas nas culturas periféricas tomando como referência a matemática ocidental, o Programa Etnomatemática tem como referências categorias próprias de cada cultura, reconhecendo que é próprio da espécie humana a satisfação de pulsões de sobrevivência e transcendência, absolutamente integrados, como numa relação de simbiose.

A satisfação da pulsão integrada de sobrevivência e transcendência leva o ser humano a desenvolver modos, maneiras, estilos de explicar, de entender e aprender, e de lidar com a realidade perceptível. Um abuso etimológico levou-me a utilizar, respectivamente, tica [de techné], matema e etno para essas ações e compor a palavra etno-matema-tica.

O pensamento abstrato, próprio de cada indivíduo, é uma elaboração de representações da realidade e é compartilhado graças à comunicação, dando origem ao que chamamos cultura. Os instrumentos [materiais e intelectuais] essenciais para essa elaboração incluem, dentre outros, sistemas de quantificação, comparação, classificação, ordenação e linguagem. O Programa Etnomatemática tem como objetivo entender o ciclo do conhecimento em distintos ambientes.

A exposição acima sintetiza a motivação teórica que serve de base a um programa de pesquisa sobre a geração, organização intelectual, organização social e difusão do conhecimento. Na linguagem acadêmica, poder-se-ia dizer que se trata de um programa interdisciplinar, abarcando o que constitui o domínio das chamadas ciências da cognição, da epistemologia, da história, da sociologia e da difusão.

Metodologicamente, esse programa reconhece que na sua aventura enquanto espécie planetária, o homem (espécie homo sapiens sapiens), bem como as demais espécies que a precederam, os vários hominídeos reconhecidos desde há 4.5 milhões de anos antes do presente, tem seu comportamento alimentado pela aquisição de conhecimento, de fazer(es) e de saber(es) que lhes permitem sobreviver e transcender através de maneiras, de modos, de técnicas ou mesmo de artes [techné ou tica] de explicar, de conhecer, de entender, de lidar com, de conviver com [matema] a realidade natural e sociocultural [etno] na qual ele, homem, está inserido. Ao utilizar, num verdadeiro abuso etimológico, as raízes tica, matema e etno, dei origem à minha conceituação de etnomatemática.

Naturalmente, em todas as culturas e em todos os tempos, o conhecimento, que é gerado pela necessidade de uma resposta a problemas e situações distintas, está subordinado a um contexto natural, social e cultural.

Indivíduos e povos têm, ao longo de suas existências e ao longo da história, criado e desenvolvido técnicas de reflexão, de observação, e habilidades (artes, técnicas, techné, ticas) para explicar, entender, conhecer, aprender para saber e fazer como resposta a necessidades de sobrevivência e de transcendência (matema), em ambientes naturais, sociais e culturais (etnos) os mais diversos. Desenvolveu, simultaneamente, os instrumentos teóricos associados a essas técnicas e habilidades. Daí chamarmos o exposto acima de Programa Etnomatemática.

O nome sugere o corpus de conhecimento reconhecido academicamente como Matemática. De fato, em todas as culturas encontramos manifestações relacionadas e mesmo identificadas com o que hoje se chama Matemática (processos de organização, classificação, contagem, medição, inferência), geralmente mescladas ou dificilmente distinguíveis de outras formas, hoje identificadas como Arte, Religião, Música, Técnicas, Ciências. Em todos os tempos e em todas as culturas, Matemática, Artes, Religião, Música, Técnicas, Ciências foram desenvolvidas com a finalidade de explicar, de conhecer, de aprender, de saber/fazer e de predizer (artes divinatórias) o futuro. Todas, que aparecem, num primeiro estágio da história da humanidade e da vida de cada um de nós, são indistinguíveis, na verdade mescladas, como formas de conhecimento.

O Programa Etnomatemática e a educação atual

Estamos vivendo um período em que os meios de captar informação e o processamento da informação de cada indivíduo encontram nas comunicações e na informática instrumentos auxiliares de alcance inimaginável em outros tempos. A interação entre indivíduos também encontra, na teleinformática, um grande potencial, ainda difícil de se aquilatar, de gerar ações comuns. Nota-se em alguns casos o predomínio de uma forma sobre outra, algumas vezes a substituição de uma forma por outra e mesmo a supressão e a eliminação total de alguma forma, mas na maioria dos casos o resultado é a geração de novas formas culturais, identificadas com a modernidade. Ainda dominadas pelas tensões emocionais, as relações entre indivíduos de uma mesma cultura (intraculturais) e, sobretudo, as relações entre indivíduos de culturas distintas (interculturais) representam o potencial criativo da espécie. Assim como a biodiversidade representa o caminho para o surgimento de novas espécies, na diversidade cultural reside o potencial criativo da humanidade. As conseqüências dessas mudanças na formação de novas gerações exige reconceituar a educação.

A pluralidade dos meios de comunicação de massa, facilitada pelos transportes, levou as relações interculturais a dimensões verdadeiramente planetárias. Inicia-se assim uma nova era, que abre enormes possibilidades de comportamento e de conhecimento planetários, com resultados sem precedentes para o entendimento e harmonia de toda a humanidade.

Tem havido o reconhecimento da importância das relações interculturais. Mas lamentavelmente ainda há relutância no reconhecimento das relações intraculturais na educação. Ainda se insiste em colocar crianças em séries de acordo com idade, em oferecer o mesmo currículo numa mesma série, chegando ao absurdo de se propor currículos nacionais. E ainda maior absurdo de se avaliar grupos de indivíduos com testes padronizados. Trata-se efetivamente de uma tentativa de pasteurizar as novas gerações!

Não se pretende a homogeneização biológica ou cultural da espécie, mas sim a convivência harmoniosa dos diferentes, através de uma ética de respeito mútuo, solidariedade e cooperação.

Naturalmente, sempre existiram maneiras diferentes de explicar e de entender, de lidar e conviver com a realidade. Agora, graças aos novos meios de comunicação e transporte, essas diferenças serão notadas com maior evidência, criando a necessidade de um comportamento que transcenda mesmo as novas formas culturais. Eventualmente, o tão desejado livre arbítrio, próprio de ser [verbo] humano, poderá se manifestar num modelo de transculturalidade que permitirá que cada ser [substantivo] humano atinja a sua plenitude.

Um modelo adequado para se facilitar esse novo estágio na evolução da nossa espécie é a chamada Educação Multicultural, que vem se impondo nos sistemas educacionais de todo o mundo.

Sabemos que no momento há mais de 200 estados e aproximadamente 6.000 nações indígenas no mundo, com uma população totalizando entre 10%-15% da população total do mundo. Embora não seja o meu objetivo discutir Educação Indígena, os aportes de especialistas na área têm sido muito importantes para se alertar sobre os perigos de uma educação que se torne um instrumento de reforço dos mecanismos de exclusão social.

Dentre os vários questionamentos que levam à preservação de identidades nacionais, muitas se referem ao conceito de conhecimento e às práticas associadas a ele. Talvez a mais importante a se destacar seja a percepção de uma dicotomia entre saber e fazer, própria dos paradigmas da ciência moderna iniciada por Galileu, Descartes, Newton e outros, e que prevalece no mundo chamado “civilizado”.

A ciência moderna surgiu, praticamente, ao mesmo tempo em que se deram as grandes navegações, que resultaram na conquista e na colonização, e na imposição do cristianismo a todo o planeta. A ciência moderna, originada das culturas mediterrâneas e substrato da eficiente e fascinante tecnologia moderna, foi logo identificada como protótipo de uma forma de conhecimento racional. Definiram-se, assim, a partir das nações centrais, conceituações estruturadas e a dicotômicas do saber [conhecimento] e do fazer [habilidades].

Fonte: Trecho sobre O programa Etnomatemático. Texto:

O programa etnomatemática: história, metodologia e pedagogia

por Ubiratan D’Ambrosio


O que é Etnomatemática?

Modelo por Ubirtan D'Ambrosio

Modelo por Ubirtan D'Ambrosio

Disponível em http://www.ufrrj.br/leptrans/8.pdf


Stanislaw Ulam, the mathematician for Ulam's conjecture. If a number is even, divide by two, if odd triple and add one.

Stanislaw Ulam, o matemático para a conjectura de Ulam. Se um número é par, divida-o por dois, se for um impar triplo adicione um.

(Obrigado Prof. Tod!)





Uma Bibliografia


1.
Wanderley da Silva
Possíveis Articulações Entre Educação Matemática Crítica e Etnomatemática.
O artigo em questão, originou-se  através de um projeto realizado pela professora Caroline Mendes dos Passos, na Escola Municipal Tomás Antônio Gonzaga, na cidade de Ouro Preto, com alunos da 5ª série. Teve como intuito pesquisar o "jeito de ser" dos alunos, e que ideias matemáticas eles manifestavam durante as aulas. Com o auxílio de um questionário, que objetivava saber quais atividades os alunos gostavam de realizar quando estavam na escola, em casa e nos momentos de lazer,  ficou constatado que, para a maioria, a matemática  estava presente nos supermercados e no comércio, e que não estava presente na música. A partir daí surge a ideia de se trabalhar com "A relação da Matemática e a Música" com o projeto nomeado: "Dim Dom Metria", e slogan: "Samba nos pés e  Matemática na cabeça", com a participação do curso de Licenciatura de Música da UFOP. A proposta  inicial do projeto  era a integração  do saber matemático  incorporado no cotidiano das pessoas ao aprendizado da Matemática acadêmica, também acabou representando algo  que se aproximava, de certa forma, dos alunos, pois quando se parte do conhecimento da criança, os conceitos matemáticos fazem sentido e têm um significado. Era o caminho para o tão falado ´trazer a realidade do estudante para a sala de aula`. Desta maneira a Etnomatemática passou a ser não mais somente uma etnografia, mas além disso um método de ensino (FERREIRA, 1991, P.02).
Uma discussão curricular se faz necessária, passando de uma concepção passiva para uma concepção curricular transformadora. O que nos remete sobre aspectos defendidos também pela Educação Matemática Crítica. Para D`Ambrosio (2005), a necessidade de flexibilidade curricular é uma das alternativas mais eficazes para incorporar  a Etnomatemática aos programas.


Referências Bibliográficas:
- Educação matemática crítica: reflexões e diálogos / prefácio de Ole Skovsmose ; Jussara de Loyola Araújo, organizadora; Augusta Aparecida Neves Mendonça...[et al.]. - Belo Horizonte, MG : Argvmentvm, 2007. (Stvdivm);
-D’AMBROSIO, U. Etnomatemática e educação. In: Etnomatemática, currículo e formação de professores. KNIJNIK, G. WANDERER, F. e OLIVEIRA, C. J organizadores.– Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004. p.39-52.
- D’AMBROSIO, U. Etnomatemática : elo entre as tradições e a modernidade. Belo Horizonte:
Autêntica, 2001.

- WANDERER, Fernanda. Educação de jovens e adultos, produtos da mídia e etnomatemática. In: Etnomatemática: currículo e formação de
professores. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004. p. 253-271.
- SANTOS, Benerval Pinheiro. Etnomatemática e suas possibilidades pedagógicas: algumas indicações. VII Encontro Paulista de Educação Matemática, São Paulo, 2006. (s/p) Disponível em: <http://www.sbempaulista.org.br/epem/anais/grupos_trabalho/gdt01-Bene.doc> Acesso em: 05 mar. 2007.

2. Thiago Marques Borges
ETNOMATEMÁTICA: as possibilidades pedagógicas num curso de alfabetização para trabalhadores rurais assentados.
Esta é uma tese de doutorado que a Aluna Alexandrina Monteiro da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas – Faculdade de Educação) defendeu em 1998. Em sua tese a aluna busca a partir de uma experiência vivenciada como pesquisadora e assessora de um curso de Alfabetização de Adultos, num Assentamento Rural de Sumaré I – em São Paulo, mostrar a aplicabilidade da Etnomatemática em uma abordagem pedagógica. Observando a vivência (cotidiano) dos assentados nessa comunidade, ou seja, vendo as suas diversas falas, assuntos, problemas pessoais e outros, buscou-se um grande interesse por fazer essa pesquisa. A aluna fez uma atividade prática sobre orientação de espaço (mapeamento), no qual os alunos do curso de alfabetização tinham que indicar o caminho da escola até sua casa, e até sua roça. Eles utilizaram sulfite, lápis de cor, lápis preto e canetinhas coloridas como material, para desenvolverem a atividade.  Esta tinha como objetivo a compreensão de imagem, ponto de referência e ponto lógico a partir do qual o espaço é demarcado. A aluna contou com a ajuda de três professores: Prof. Dirceu – assentado com formação em Geografia e representante estadual do Setor de Educação do MST-SP, a profa. Nice e prof. Neno, ambos assentados e sem titulação, para realização de seu trabalho.
Após este trabalho belíssimo desenvolvido pela aluna, nos faz refletir sobre o quanto a prática pedagógica da Etnomatemática pode ser um novo caminho para o sucesso dos nossos alunos, ou seja, uma aula diferenciada, é de grande valia, obtendo assim troca de experiências entre professor/aluno como também aluno/aluno.
Referência Bibliográfica para o trabalho:
- MONTEIRO, A. Etnomatemática: as possibilidades pedagógicas num curso de alfabetização para trabalhadores rurais assentados. 211 f. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1998.

Outras referências Bibliográficas:
- BANDEIRA, Francisco de Assis. Etnomatemática: teoria e prática em sala de aula
UFRN/Caicó. Natal/RN, 2007.  assisbandeira@digizap.com.br
- D’ AMBRÓSIO, U. A Etnomatemática no processor de construção de uma escola indígena.  Em Aberto, Brasília, ano 14, n.63, jul./set. 1994
- HALMENSCHLAGER, Vera Lucia da Silva: Etnomatemática uma experiência educacional. São Paulo: Summus, Selo Negro, 2001.
- MORAIS, Ana Rita Sant’Anna & ROLKOUSKI, Emerson. Considerações sobre Etnomatemática e suas implicações em sala de aula. Universidade Federal do Paraná.

3.
Hudson de Souza:
ETNOMATEMÁTICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UM FAZER DIALÓGICO POSSÍVEL
Acreditamos que o maior desafio do professor, nesse novo paradigma da educação, é tornar-se, um professor-pesquisador no âmbito escolar. No contexto da sala de aula de Matemática, deve tornar-se uma prática corriqueira do educador eleger projetos de pesquisa para serem vivenciados por seus alunos, de forma colaborativa.
Dessa forma, a autora considera pertinente ressaltar que essa prática pedagógica deve ser uma atitude de todos os educadores, para todas as demais disciplinas do currículo escolar. Defendendo a implementação de projetos educativos a serem desenvolvidos em parcerias de alunos, professores, pais e comunidade.
Foi com esse espírito inovador que foi desenvolvida a presente proposta de trabalho numa turma de 6ª série, com um grupo de crianças e adolescentes de idades entre 10 e 17 anos, na localidade da Barrinha, zona rural do município de Mossoró conectado a Educação Ambiental.
Um dos grandes desafios encontrados durante a realização do projeto foi enfrentar o modelo secular do ensino tradicional adotado pela escola. Vale lembrar que nesse modelo de escola o professor tem postura autoritária e seu método pedagógico se restringe à produção de uma aprendizagem distanciada do cotidiano do aluno, desprezando-se a criatividade deste, nas habilidades e conhecimentos prévios, e isso o leva à passividade, comprometendo o diálogo contínuo, tão presente na proposta apresentada por nós à comunidade escolar.
Logo, com a execução do projeto, no campo da matemática, abriu novas perspectivas de pesquisa para a melhoria do ensino e da aprendizagem na sala de aula de Matemática, dentro do ensino fundamental, ligada à etnomatemática. Visto que a principal expectativa dos idealizadores do projeto, e muito provavelmente também a nossa, é que as pesquisas escolares possam contribuir para a melhoria e a qualidade de aprendizagem de crianças e adolescentes do ensino fundamental, nível de ensino que carece bastante de atenção e do uso de métodos construtivistas e alternativos que levem os alunos a serem cidadãos críticos e participativos no processo de saber-fazer e viver em comunidade.
Por fim, pode-se perceber que os diálogos dessa prática pedagógica contribuíram para a Educação Ambiental e a Educação Matemática – em especial, a Etnomatemática – , a fim de diminuir a fragmentação dos conhecimentos na sala de aula da turma da 6ª série da Escola Antônio Inácio, situada na zona rural de Mossoró. Concordando, assim, com D’Ambrosio (1998) em que a “etnomatemática parte da realidade e chega de maneira natural e através de um enfoque cognitivo com forte fundamentação cultural, a ação pedagógica”.

Referência Bibliográfica para o trabalho:
COSTA, Francisca Vandilma. ETNOMATEMÁTICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: um fazer dialógico possível. In: Os sete saberes necessários à educação do presente, 2010, Fortaleza-CE. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DOS SETE SABERES, 2010.
Outras Referências Bibliográficas:
VELHO, Eliane Maria Hoffmann; LARA, Isabel Cristina Machado de. O Saber Matemático na Vida Cotidiana: um enfoque etnomatemático. ALEXANDRIA Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, v.4, n.2, p.3-30, novembro 2011.
LIMA, Jéfferson Iran de Souza. A Etnomatemática em uma sala de aula da EJA: a experiência de três alunos a respeito da cubação da terra. Anais do Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão. Volume 8, Número 8. Recife: Faculdade Senac PE, 2014.
MESQUITA, Flávio Nazareno Araújo. Refletindo a própria prática: abordagem etnomatemática na sala de aula. 2007; Monografia; (Aperfeiçoamento/Especialização em Especialização em Educação Matemática) – Npadc; Orientadora: Isabel Cristina Rodrigues de Lucena.
PEREIRA, M. I. C. ; BANDEIRA, Francisco de Assis . Etnomatemática: Uma matemática Itinerante no contexto escolar. In: conferência interamericana de educação matemática, 2011, Recife.
 
4. Rodrigo Carlos Pinheiro:
(MANAÃ) – CANOA PANTANEIRA DO RIO PARAGUAI: MANIFESTAÇÃO CULTURAL NA COMUNIDADE POTREIRO, CÁCERES, PANTANAL MATO GROSSENSE.

Esta é uma dissertação de Mestrado que o aluno Celso Ferreira da Cruz Victoriano da Universidade Federal do Mato Grosso defendeu em 2006. A presente pesquisa procura investigar o saber Matemático do pescador pantaneiro, na construção da canoa, numa perspectiva dialógica ambiental, projetada em conhecimentos e necessidades locais que favoreçam a Educação Matemática, o que reconhecemos como Etnomatemática. O acompanhamento dos passos construtivos de uma canoa pantaneira, na região de Cáceres, MT, é o tema central deste estudo. Pesquisa descritiva qualitativa do tipo etnográfica. Utilizou-se para o levantamento dos dados pesquisa bibliográfica e de campo, através de observação participante, entrevista aberta com registro iconográfico e gravação de áudio. Registrou-se que para fabricar a canoa o artesão utiliza o tronco de uma árvore denominada localmente de Chimbuva (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong – Mimosaceae), que tem sua circunferência medida por um cipó onde é feita abertura, e os espaços dos bancos, a  localização da proa e da popa e também do ponto de equilíbrio por meio de raciocínios lógicos matemáticos. Nesta pesquisa, registrou-se ainda o processo construtivo do remo, valendo-se da análise interpretativa nos passos da construção da canoa. Os dados apresentados suscitam do ponto de vista da matemática como também do ponto de vista da conservação ambiental, cuidados na conservação e preservação do saber cultural.

Referência Bibliográfica:
- VICTORIANO, C. F. C. (Manaã) Canoa pantaneira do Rio Paraguai: manifestação cultural na comunidade Potreiro, Cáceres, Pantanal Matogrossense. Cuiabá: UFMT, 2006.

Outras referências Bibliográficas:
- ARAÚJO, Armando Aroca. Una Propuesta de Enseñanza de Geometría desde una Perspectiva Cultural. Santiago de Cali: Universidad del Valle, 2007.
- D'AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação matemática: Da teoria a prática. Campinas, SP: Papirus, 1996.
- PASSOS, Caroline Mendes. Etnomatemática e educação matemática crítica: conexões teóricas e práticas. Belo Horizonte: UFMG / FaE, 2008.
- RODRIGUES, T. D. A Etnomatemática no Contexto do Ensino Inclusivo. Curitiba: Editora CRV, 2010


ETNOMATEMÁTICA E PRÁTICAS DA PRODUÇÃO DE CALÇADOS -  Jucilene das Dores Lucas

O presente trabalho é parte da dissertação de mestrado de Ieda Maria Giongo apresentada no VIII Encontro Nacional de Educação Matemática em Recife, 2004 e discute como se relacionam os saberes do mundo, da escola e do trabalho, sob um ponto de vista etnomatemático.

A pesquisa utilizou procedimentos e técnicas tais como a observação direta e participante, diário de campo e entrevistas. A coleta de dados envolveu observações em três fábricas ligadas ao setor calçadista da região do “Vale do Taquari”, RS; entrevistas com os alunos da escola que trabalhavam no contexto fabril calçadista e, com líderes das empresas envolvidas e análise de documentos das escolas nas quais esses alunos trabalhadores faziam parte.

O trabalho apresentado no Encontro Nacional de Educação Matemática, apresenta as práticas cotidianas do “mundo dos calçados” onde as idéias matemáticas estão presentes. A autora as organiza da seguinte forma: A prática de “tirar o tempo”, a prática de “pesar a linha”, a prática de “achar o meio da barra” e a prática de “distribuir palmilhas no cartão”.

Ao final da análise das práticas a autora compreendeu de modo mais profundo como a escola “exclui” os saberes do “mundo do trabalho”, centrando o processo pedagógico unicamente nos saberes acadêmicos. Ela ainda reforça, a necessidade de uma reestruturação curricular onde haja integração entre as disciplinas e a cultura do aluno. E, aponta que esta conexão entre escola e o que lhe é exterior, como o mundo do trabalho, citado na pesquisa, é representação de um posicionamento político.

GIONGO, Ieda Maria. Etnomatemática e práticas da produção de calçados. In: Encontro Nacional de Educação Matemática. Educação Matemática: um compromisso social, 7, 2004, Recife, Anais... Pernambuco, 16p.

Referências Bibliográficas:

CLARETO, Sônia Maria. Terceiras Margens: Um estudo etnomatemático de especialidades em Laranjal do Jari (Amapá). 2003. 253p. Tese de Doutorado. Universidade Estadual Paulista – Rio Claro. São Paulo, 2003.

D’AMBROSIO Ubiratan. O Programa Etnomatemática: uma síntese. Acta Scientiae, Canoas, V.10 nº 1, p.7-16, jan/jun de 2008.

FERREIRA, Eduardo Sebastiani. A importância do conhecimento etnomatemático indígena na escola dos não índios. Em aberto, Brasília, ano 14, n.62, p.1-7, abr/jun.1994.

MADRUGA, Zulma E. de Freitas. A criação de alegorias de carnaval: das relações entre modelagem matemática, etnomatemática e cognição. 2012.136p. Tese de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Educação em Ciências e Matemática, Porto Alegre, 2012.






Links


Please follow this link to access your copy of NASGEm NEWS 8,1:  Notices of the North American Study Group on Ethnomathematics: http://nasgem.rpi.edu



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Daniel Orey,
May 21, 2015, 3:47 PM
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Daniel Orey,
May 21, 2015, 3:48 PM
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